Na Omniloy, acreditamos que a investigação é fundamental para desenvolver uma inteligência artificial útil, segura e aplicável ao dia a dia da saúde. Por isso, apresentámos recentemente na AAMAS Conference 2026 o trabalho «SofIA: AI Clinical Companion for Real-Time Documentation and Decision Support».
O artigo, desenvolvido por Leire Villarroya Martínez, Enrique Alcázar Garzas e Stella Heras, analisa como os assistentes clínicos baseados em IA podem reduzir a carga administrativa dos profissionais de saúde e apoiar a tomada de decisões em tempo real.
No dia a dia de um profissional de saúde, cada consulta implica gerir um volume crescente de informação. A digitalização aumentou o acesso aos dados, mas também fez crescer exponencialmente a quantidade que os profissionais têm de gerir em cada dia de trabalho.
Mais do que um assistente virtual
Da automatização de tarefas administrativas à análise de imagens médicas, a inteligência artificial tem vindo a ganhar protagonismo na área da saúde há anos. No entanto, a verdadeira transformação não reside apenas na incorporação de novas tecnologias, mas na sua integração útil na prática clínica.
Assim, os assistentes clínicos propõem uma nova forma de compreender o apoio tecnológico. O objetivo não é acrescentar mais uma ferramenta, mas simplificar processos, reduzir a carga administrativa e permitir que os profissionais dediquem mais tempo ao que realmente importa: os cuidados ao doente.
IA que acompanha o profissional de saúde
Mais do que oferecer respostas assistidas, a evolução desta tecnologia dá lugar a uma nova geração de assistentes clínicos concebidos para «acompanhar» o profissional. A inteligência artificial deixa de ocupar um papel secundário e passa a ser um apoio contínuo no fluxo de trabalho clínico.
O objetivo não é automatizar nem substituir, mas melhorar a eficiência e a confiança do pessoal clínico. Quando a IA assume as tarefas repetitivas e administrativas, os profissionais podem concentrar-se no importante: ouvir, acompanhar e cuidar das pessoas.
O verdadeiro valor de um sistema clínico reside em dar ao profissional a informação adequada no momento adequado. Não em decidir por ele.
A consulta do futuro começa em tempo real
Para que um assistente clínico acrescente valor real, não basta transcrever uma conversa ou recuperar informação do historial médico. A sua utilidade depende da capacidade para compreender o contexto clínico e oferecer apoio sem interromper o desenrolar natural da consulta.
A documentação clínica em tempo real representa uma mudança de paradigma. Enquanto o profissional mantém o curso normal da conversa com o doente, a inteligência artificial analisa, estrutura a documentação, organiza os acessos e facilita o processo.
Compreender, apoiar e simplificar: as três capacidades que definem a nova geração de assistentes.
Documentação clínica em tempo real
Enquanto o profissional mantém o curso natural da conversa, a IA analisa, estrutura a documentação, organiza os acessos e facilita o processo.
Compreende o contexto clínico
Não basta transcrever ou recuperar informação do historial. A sua utilidade depende de compreender o contexto clínico e oferecer um apoio relevante sem interromper o desenrolar da consulta.
O profissional continua a decidir
A tecnologia passa para segundo plano e não rouba protagonismo. Em vez de substituir processos, ocupa-se das tarefas que consomem tempo e acrescentam pouco valor assistencial.
Investigação para uma IA clínica mais útil
O desenvolvimento de assistentes clínicos capazes de se integrarem de forma natural na prática de saúde exige mais do que avanços tecnológicos. Exige também investigação que permita compreender como aplicar a inteligência artificial de forma segura, útil e alinhada com as necessidades reais dos profissionais.
O trabalho «SofIA: AI Clinical Companion for Real-Time Documentation and Decision Support», apresentado na AAMAS Conference 2026, explora como um assistente clínico baseado em IA pode combinar documentação em tempo real e apoio à tomada de decisões para se integrar no fluxo assistencial sem aumentar a sua complexidade. Para além do reconhecimento académico, esta investigação contribui para aproximar a inovação dos hospitais e centros de saúde.
Uma nova forma de colaborar com a tecnologia
A evolução da inteligência artificial na saúde não consiste apenas em automatizar processos. O seu verdadeiro potencial está no desenvolvimento de ferramentas capazes de colaborar com os profissionais, compreender o contexto clínico e oferecer apoio onde realmente faz a diferença.
Os assistentes clínicos inteligentes não vêm substituir o critério dos profissionais, mas potenciá-lo. Ao integrarem-se de forma natural na prática clínica, reduzem a carga administrativa, facilitam o acesso à informação e devolvem tempo para o que verdadeiramente importa: os cuidados ao doente.
O futuro dos cuidados de saúde continuará nas mãos de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde. A diferença é que contarão cada vez mais com tecnologias capazes de trabalhar ao seu lado, integradas de forma natural na sua prática diária.
Quer saber como estamos a desenvolver a próxima geração de assistentes clínicos? Fale com a nossa equipa.